Polícia Militar distribui cestas de Natal a partir desta terça-feira
A partir desta terça-feira, as unidades da Polícia Militar começam a receber as cestas de Natal. Cada cesta terá um peru temperado, com peso entre 3,8Kg e 4Kg, um tender bolinha de 1Kg e 2Kg de bacalhau tipo Porto. Como serão 37.400 cestas a serem distribuídas — todos os PMs que estão na folha de pagamento de outubro terão direito, exceto os que estão adidos a outros órgãos —, os números são bastante expressivos: quase 150 toneladas de peru, mais de 37 toneladas de tender e aproximadamente 75 toneladas de bacalhau. A distribuição dos kits natalinos vai até o dia 23.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Tarso Genro: ‘Queremos um piso de R$ 3.200 para policiais em 2010’
Brasília - A meta parece inatingível. Mas o ministro da Justiça, Tarso Genro, garante: está lançado o objetivo, já para o ano que vem, de implementar um piso salarial para as polícias e o Corpo de Bombeiros do Rio de R$ 3.200, o que representa, por exemplo, quatro vezes o ganho mensal de um soldado. O aumento virá na forma de gratificação financiada pelo governo federal. Com a chamada ‘Bolsa-Olímpica’, o agente de segurança terá que participar de cursos de qualificação. É essa a nova polícia que vai ocupar as próximas 50 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) até 2016, experiência bem-sucedida e que poderá ser exportada para o Haiti. Por aqui, Tarso alerta: as unidades têm que sofrer correções e ganhar mais programas sociais.
Foto: Carlo Wrede / Agência O DIA
Foto: Carlo Wrede / Agência O DIA
O DIA: Que investimentos do governo federal serão feitos com os R$ 900 milhões anunciados na semana passada para o Rio?
Esse dinheiro é uma demanda do governo Sérgio Cabral que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que atendêssemos, voltados para as Olimpíadas de 2016. É uma espécie de Pronasci paralelo exclusivo para o Rio de Janeiro.
O governo já chegou a um consenso de qual será o valor da Bolsa Olímpica?
A proposta que estamos fazendo é a que permita um valor de R$ 3.200 de piso salarial a partir do ano que vem para os policiais do Rio. Esta é a pretensão que negociamos com o governo estadual e que os recursos estão destinados a dar sustentação.
Tanto para policiais civis quanto para militares?
Sim.
Bombeiros também entrariam no programa?
Sim.
Quem já recebe as bolsas do Pronasci poderia acumular estes valores?
Haveria uma absorção deste valor sobre o menor. Policiais ganham R$ 900, mais R$ 400 da bolsa, e os que estão nas UPPs mais R$ 500. Então teremos que, praticamente, dobrar o valor pago para que os policiais ganhem no ano que vem, no mínimo, R$ 3.200.
O que falta definir?
Depende da votação do orçamento no Congresso Nacional. As bancadas já propuseram as emendas para este valor, e a nossa parte, nós também fizemos. O projeto de lei que institui a bolsa já está na Casa Civil e no Ministério do Planejamento. A nossa tarefa foi cumprida e agora isso passará pela relação direta entre o governador e o presidente da República.
Depois de 2016 este valor será agregado ao salário?
A ideia é que sim. Que o valor se torne um piso salarial universal para todo o País.
Então esta proposta coloca parcialmente em prática a PEC 300 (proposta que equipara os salários da polícia do Distrito Federal com o resto do Brasil) que está sendo debatida no Congresso, certo?
Pode ajudar. A PEC 300 é uma satisfação para todos os policiais do País que merecem um piso salarial. Temos que chegar a 2016 com um piso salarial para os servidores das polícias de R$ 3.200, correspondente à época.
O que vocês querem de contrapartida deste policial?
Que ele esteja em permanente formação e atualização através dos cursos. Que sejam maciçamente utilizados nas UPPs ou no policiamento comunitário. Isso tem que significar o trânsito de um modelo de segurança pública atual para um novo modelo. Por isso, escolhemos o Rio como impulsionador da experiência.
Mas para instalar 50 UPPs até 2016, como foi prometido, ainda é preciso aumentar muito o efetivo da polícia militar.
Há intenção do governador Sérgio Cabral de fazer uma sucessão de concursos que integrem estes policiais novos neste novo modelo educacional e salarial. Estes vão ser jogados diretamente nas UPPs. Não deixaremos de lado a polícia velha, estes também podem entrar nos cursos, mas estamos apostando em uma nova geração, que já entra em outro ambiente intelectual, moral, técnico e tecnológico. Isso vai mudando, inclusive, a ética interna da polícia e a sua autoestima. A mudança cultural é a mais radical e mais difícil. Inclusive, temos que fazer correções com relação ao Pronasci no Rio.
Quais?
Quem deve tomar estas providências são as autoridades locais. Por exemplo: temos algumas UPPs que estão sendo instaladas e, depois, não estão sendo instalados imediatamente programas preventivos que a prefeitura e o governo do estado têm que instalar.
O aumento salarial vai impactar diretamente na diminuição da corrupção?
Se o baixo salário fosse a causa principal da corrupção na polícia, nós não teríamos uma maioria honesta. Se os estados melhorarem os salários mas não tomarem outras medidas, certamente isso reduzirá muito pouco a corrupção. Tem que haver treinamento e educação qualificada, autoestima em permanente elevação, relação direta com a comunidade, controle social sobre a atividade policial e uma perspectiva de vida para o futuro. Tem que haver uma visão menos amarga do futuro. Hoje, eles passam rapidamente pela polícia e vão fazer um concurso para receber salário maior. Extinta, a corrupção não será, nem nos países mais puros do mundo, se é que eles existem.
Algumas audiências têm sido feitas no Congresso Nacional para debater a unificação das polícias. O senhor acha que esta seria uma solução para a segurança no País?
A tese da unificação das polícias surgiu corretamente dentro da academia quando o sistema policial brasileiro era radicalmente repressivo e sem controle da imprensa e de autoridades. O que é mais moderno e mais aceito nos países com sistema de polícia não é uma polícia única. São diversos corpos de atividade policial especializada, com hierarquias definidas, que trabalhem de maneira integrada. Portanto, não creio que, hoje, a extinção das polícias militares ou a unificação burocrática das polícias possa solucionar os problemas. Podemos acabar integrando virtudes e vícios que as instituições carregam.
O governo do estado contratou como consultor o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani. O senhor acha válido?
Qualquer consultoria de experiência positiva é boa. Mas o que foi vendido como ‘Tolerância Zero’ tem titulação infantil para uma política de segurança pública. Isso é despertar a ira repressiva dos policiais contra os pequenos delinquentes. É saudável ter consultoria, mas esta política apresentada como solução não é nem mais respeitada nos EUA. O que trouxe uma melhor atividade policial lá foi a melhoria salarial, tecnológica e o controle do Estado sobre a polícia.
O secretario de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, classificou de ‘omissa’ a ação da Polícia Federal no combate ao narcotráfico. Como o senhor recebeu este comentário?
Recebi com muito carinho e respeito. Beltrame é um bom secretário que naquele momento usou a expressão inadequada. O que ele quis dizer, na verdade, é que tinha que haver uma preocupação maior com o que vem de fora. Não tem fábrica de cocaína no Rio. Aquilo foi um incidente menor.
Duas intervenções distintas em comunidades carentes foram feitas no governo Cabral. Uma com o PAC, onde obras de infraestrutura foram realizadas antes da retirada da criminalidade, e outra com as UPPs, que removeram os bandidos das favelas para depois começar a investir. Não seria melhor retirá-los de favelas como Complexo do Alemão, Manguinhos e Rocinha antes de fazer obras do PAC?
Seria melhor, mas nem sempre o melhor é o possível. As obras de infraestrutura não podem esperar. O que tem que ser feito rapidamente é estender o policiamento comunitário para estas regiões.
O governo federal tem recebido muitos presos do Rio nas Penitenciárias de Segurança Máxima. Há previsão de receber mais detentos nos próximos meses?
Temos vagas. Sempre que for necessário e o Poder Judiciário determinar, vamos acolher estes criminosos. As rebeliões de presídios nos estados baixaram quase 80% porque aqueles que conduziam estas ações foram levados para as nossas Penitenciárias de Segurança Máxima. Temos quatro atualmente e mais uma será construída em Brasília.
Há alguma expectativa de implementar o Pronasci no Haiti (país onde o Brasil integra missão de paz)?
O programa é considerado uma referência pela ONU. Já temos pessoas trabalhando no Haiti em parceria com a ONG Viva Rio. Vamos entrar com tecnologia e os recursos para implantação serão repassados pela Suíça.
Vai ter UPP lá também?
Seria o ideal.
Aumento salarial vai beneficiar 38.539 só na Polícia Militar
O aumento da remuneração para R$ 3.200 deve beneficiar, só na Polícia Militar do Rio, 38.539 servidores. Esse é o contingente atual de soldados (8.777), cabos (12.226), sargentos (12.523), segundo-tenentes (3.680) e aspirantes a oficiais (1.333) que não atingem o teto que vai ser fixado caso a proposta da Bolsa-Olímpica seja aprovada pelo Congresso Nacional e entre em vigor. Segundo o ministro da Justiça, Tarso Genro, as articulações em Brasília estão favoráveis para a execução do projeto: “Estou muito confiante. Acredito que isso pode ser uma revolução na polícia”.
O projeto do Bolsa-Olímpica começou a ser discutido este ano. As gratificações do Pronasci que atendem a outros estados — são R$ 400 para agentes de segurança que ganham menos de R$ 1.700 e fazem cursos do Ministério — foram consideradas insuficientes para a questão salarial da polícia do Rio.
A alegação da categoria é de que a remuneração da PM fluminense é a menor do País. Um soldado, por exemplo, recebe, em média, R$ 850,92; um cabo, R$ 1.615,32; um terceiro-sargento, R$ 2.134,65; um segundo-sargento, R$ 2.436,850; um primeiro-sargento, R$ 2.987,48; e um aspirante a oficial, R$ 2.017,24.
Como o governo do estado alega ser inviável, no momento, aumentar os vencimentos básicos de policiais, cada vez mais cresce a política de bonificações. A partir do dia 1º, o estado começou a pagar R$ 350, como gratificação, a policiais militares, civis e bombeiros que participarem de programas de qualificação, como manuseio de armas e cuidados na abordagem pessoal. Delegados-adjuntos em escalas de plantão e os assistentes ou substitutos, submetidos à escala de plantão, no entanto, começaram a receber R$ 850 de gratificação também a partir deste mês.
O estado, no entanto, restringiu o direito à gratificação a policiais que não recebem outros adicionais, como os das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que têm bolsa de R$ 500. A avaliação será semestral e, para bombeiros, anual. Na PM, os cursos de qualificação terão carga horária de 16 horas e na Civil, de 40 horas.
Brasília - A meta parece inatingível. Mas o ministro da Justiça, Tarso Genro, garante: está lançado o objetivo, já para o ano que vem, de implementar um piso salarial para as polícias e o Corpo de Bombeiros do Rio de R$ 3.200, o que representa, por exemplo, quatro vezes o ganho mensal de um soldado. O aumento virá na forma de gratificação financiada pelo governo federal. Com a chamada ‘Bolsa-Olímpica’, o agente de segurança terá que participar de cursos de qualificação. É essa a nova polícia que vai ocupar as próximas 50 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) até 2016, experiência bem-sucedida e que poderá ser exportada para o Haiti. Por aqui, Tarso alerta: as unidades têm que sofrer correções e ganhar mais programas sociais.
Foto: Carlo Wrede / Agência O DIA
Foto: Carlo Wrede / Agência O DIA
O DIA: Que investimentos do governo federal serão feitos com os R$ 900 milhões anunciados na semana passada para o Rio?
Esse dinheiro é uma demanda do governo Sérgio Cabral que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que atendêssemos, voltados para as Olimpíadas de 2016. É uma espécie de Pronasci paralelo exclusivo para o Rio de Janeiro.
O governo já chegou a um consenso de qual será o valor da Bolsa Olímpica?
A proposta que estamos fazendo é a que permita um valor de R$ 3.200 de piso salarial a partir do ano que vem para os policiais do Rio. Esta é a pretensão que negociamos com o governo estadual e que os recursos estão destinados a dar sustentação.
Tanto para policiais civis quanto para militares?
Sim.
Bombeiros também entrariam no programa?
Sim.
Quem já recebe as bolsas do Pronasci poderia acumular estes valores?
Haveria uma absorção deste valor sobre o menor. Policiais ganham R$ 900, mais R$ 400 da bolsa, e os que estão nas UPPs mais R$ 500. Então teremos que, praticamente, dobrar o valor pago para que os policiais ganhem no ano que vem, no mínimo, R$ 3.200.
O que falta definir?
Depende da votação do orçamento no Congresso Nacional. As bancadas já propuseram as emendas para este valor, e a nossa parte, nós também fizemos. O projeto de lei que institui a bolsa já está na Casa Civil e no Ministério do Planejamento. A nossa tarefa foi cumprida e agora isso passará pela relação direta entre o governador e o presidente da República.
Depois de 2016 este valor será agregado ao salário?
A ideia é que sim. Que o valor se torne um piso salarial universal para todo o País.
Então esta proposta coloca parcialmente em prática a PEC 300 (proposta que equipara os salários da polícia do Distrito Federal com o resto do Brasil) que está sendo debatida no Congresso, certo?
Pode ajudar. A PEC 300 é uma satisfação para todos os policiais do País que merecem um piso salarial. Temos que chegar a 2016 com um piso salarial para os servidores das polícias de R$ 3.200, correspondente à época.
O que vocês querem de contrapartida deste policial?
Que ele esteja em permanente formação e atualização através dos cursos. Que sejam maciçamente utilizados nas UPPs ou no policiamento comunitário. Isso tem que significar o trânsito de um modelo de segurança pública atual para um novo modelo. Por isso, escolhemos o Rio como impulsionador da experiência.
Mas para instalar 50 UPPs até 2016, como foi prometido, ainda é preciso aumentar muito o efetivo da polícia militar.
Há intenção do governador Sérgio Cabral de fazer uma sucessão de concursos que integrem estes policiais novos neste novo modelo educacional e salarial. Estes vão ser jogados diretamente nas UPPs. Não deixaremos de lado a polícia velha, estes também podem entrar nos cursos, mas estamos apostando em uma nova geração, que já entra em outro ambiente intelectual, moral, técnico e tecnológico. Isso vai mudando, inclusive, a ética interna da polícia e a sua autoestima. A mudança cultural é a mais radical e mais difícil. Inclusive, temos que fazer correções com relação ao Pronasci no Rio.
Quais?
Quem deve tomar estas providências são as autoridades locais. Por exemplo: temos algumas UPPs que estão sendo instaladas e, depois, não estão sendo instalados imediatamente programas preventivos que a prefeitura e o governo do estado têm que instalar.
O aumento salarial vai impactar diretamente na diminuição da corrupção?
Se o baixo salário fosse a causa principal da corrupção na polícia, nós não teríamos uma maioria honesta. Se os estados melhorarem os salários mas não tomarem outras medidas, certamente isso reduzirá muito pouco a corrupção. Tem que haver treinamento e educação qualificada, autoestima em permanente elevação, relação direta com a comunidade, controle social sobre a atividade policial e uma perspectiva de vida para o futuro. Tem que haver uma visão menos amarga do futuro. Hoje, eles passam rapidamente pela polícia e vão fazer um concurso para receber salário maior. Extinta, a corrupção não será, nem nos países mais puros do mundo, se é que eles existem.
Algumas audiências têm sido feitas no Congresso Nacional para debater a unificação das polícias. O senhor acha que esta seria uma solução para a segurança no País?
A tese da unificação das polícias surgiu corretamente dentro da academia quando o sistema policial brasileiro era radicalmente repressivo e sem controle da imprensa e de autoridades. O que é mais moderno e mais aceito nos países com sistema de polícia não é uma polícia única. São diversos corpos de atividade policial especializada, com hierarquias definidas, que trabalhem de maneira integrada. Portanto, não creio que, hoje, a extinção das polícias militares ou a unificação burocrática das polícias possa solucionar os problemas. Podemos acabar integrando virtudes e vícios que as instituições carregam.
O governo do estado contratou como consultor o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani. O senhor acha válido?
Qualquer consultoria de experiência positiva é boa. Mas o que foi vendido como ‘Tolerância Zero’ tem titulação infantil para uma política de segurança pública. Isso é despertar a ira repressiva dos policiais contra os pequenos delinquentes. É saudável ter consultoria, mas esta política apresentada como solução não é nem mais respeitada nos EUA. O que trouxe uma melhor atividade policial lá foi a melhoria salarial, tecnológica e o controle do Estado sobre a polícia.
O secretario de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, classificou de ‘omissa’ a ação da Polícia Federal no combate ao narcotráfico. Como o senhor recebeu este comentário?
Recebi com muito carinho e respeito. Beltrame é um bom secretário que naquele momento usou a expressão inadequada. O que ele quis dizer, na verdade, é que tinha que haver uma preocupação maior com o que vem de fora. Não tem fábrica de cocaína no Rio. Aquilo foi um incidente menor.
Duas intervenções distintas em comunidades carentes foram feitas no governo Cabral. Uma com o PAC, onde obras de infraestrutura foram realizadas antes da retirada da criminalidade, e outra com as UPPs, que removeram os bandidos das favelas para depois começar a investir. Não seria melhor retirá-los de favelas como Complexo do Alemão, Manguinhos e Rocinha antes de fazer obras do PAC?
Seria melhor, mas nem sempre o melhor é o possível. As obras de infraestrutura não podem esperar. O que tem que ser feito rapidamente é estender o policiamento comunitário para estas regiões.
O governo federal tem recebido muitos presos do Rio nas Penitenciárias de Segurança Máxima. Há previsão de receber mais detentos nos próximos meses?
Temos vagas. Sempre que for necessário e o Poder Judiciário determinar, vamos acolher estes criminosos. As rebeliões de presídios nos estados baixaram quase 80% porque aqueles que conduziam estas ações foram levados para as nossas Penitenciárias de Segurança Máxima. Temos quatro atualmente e mais uma será construída em Brasília.
Há alguma expectativa de implementar o Pronasci no Haiti (país onde o Brasil integra missão de paz)?
O programa é considerado uma referência pela ONU. Já temos pessoas trabalhando no Haiti em parceria com a ONG Viva Rio. Vamos entrar com tecnologia e os recursos para implantação serão repassados pela Suíça.
Vai ter UPP lá também?
Seria o ideal.
Aumento salarial vai beneficiar 38.539 só na Polícia Militar
O aumento da remuneração para R$ 3.200 deve beneficiar, só na Polícia Militar do Rio, 38.539 servidores. Esse é o contingente atual de soldados (8.777), cabos (12.226), sargentos (12.523), segundo-tenentes (3.680) e aspirantes a oficiais (1.333) que não atingem o teto que vai ser fixado caso a proposta da Bolsa-Olímpica seja aprovada pelo Congresso Nacional e entre em vigor. Segundo o ministro da Justiça, Tarso Genro, as articulações em Brasília estão favoráveis para a execução do projeto: “Estou muito confiante. Acredito que isso pode ser uma revolução na polícia”.
O projeto do Bolsa-Olímpica começou a ser discutido este ano. As gratificações do Pronasci que atendem a outros estados — são R$ 400 para agentes de segurança que ganham menos de R$ 1.700 e fazem cursos do Ministério — foram consideradas insuficientes para a questão salarial da polícia do Rio.
A alegação da categoria é de que a remuneração da PM fluminense é a menor do País. Um soldado, por exemplo, recebe, em média, R$ 850,92; um cabo, R$ 1.615,32; um terceiro-sargento, R$ 2.134,65; um segundo-sargento, R$ 2.436,850; um primeiro-sargento, R$ 2.987,48; e um aspirante a oficial, R$ 2.017,24.
Como o governo do estado alega ser inviável, no momento, aumentar os vencimentos básicos de policiais, cada vez mais cresce a política de bonificações. A partir do dia 1º, o estado começou a pagar R$ 350, como gratificação, a policiais militares, civis e bombeiros que participarem de programas de qualificação, como manuseio de armas e cuidados na abordagem pessoal. Delegados-adjuntos em escalas de plantão e os assistentes ou substitutos, submetidos à escala de plantão, no entanto, começaram a receber R$ 850 de gratificação também a partir deste mês.
O estado, no entanto, restringiu o direito à gratificação a policiais que não recebem outros adicionais, como os das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que têm bolsa de R$ 500. A avaliação será semestral e, para bombeiros, anual. Na PM, os cursos de qualificação terão carga horária de 16 horas e na Civil, de 40 horas.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Piso nacional para os policiais
O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira, em primeiro turno de votação, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 41/08 que a cria piso salarial nacional para policiais civis, militares e bombeiros. O projeto determina que, no prazo de um ano, o governo ...
federal deverá editar lei complementar fixando o valor do piso. O autor da proposta, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), explicou que o governo estuda o valor do novo piso. Mas diz que deve ser de R$ 3,2 mil, a exemplo do que foi aprovado recentemente em Sergipe. Renan acredita que 650 mil agentes sejam beneficiados com a proposta.
A iniciativa estipula que a União será obrigada a ajudar os estados na complementação dos recursos necessários à implantação do piso, caso seja comprovada a impossibilidade financeira. Além da ajuda do governo federal, os estados também poderão usar recursos do Programa Nacional de Segurança Pública (Pronasci) para complementar os valores do piso.
Os senadores pretendem garantir condições mínimas de trabalho e motivação profissional aos profissionais que desempenham importante papel na superação da crise de segurança que os estados do País têm enfrentado. O relator do projeto, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), acredita que o descaso do governo quanto à segurança pública pode ter como consequência "a ruptura do tecido social e da substituição do Estado de Direito pela guerra civil". Ele também atribui o descontrole da violência no País à falta de remuneração adequada de todas as forças policiais.
A Câmara dos Deputados também analisa a criação de um piso salarial para policiais e bombeiros. A PEC 300 não contempla os policiais civis. Pela proposta, o piso nacional seria de R$ 4,5 mil. A comissão vota nos próximos dias se também haverá equiparação salarial dos policiais de todo o País aos do Distrito Federal.
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O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira, em primeiro turno de votação, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 41/08 que a cria piso salarial nacional para policiais civis, militares e bombeiros. O projeto determina que, no prazo de um ano, o governo ...
federal deverá editar lei complementar fixando o valor do piso. O autor da proposta, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), explicou que o governo estuda o valor do novo piso. Mas diz que deve ser de R$ 3,2 mil, a exemplo do que foi aprovado recentemente em Sergipe. Renan acredita que 650 mil agentes sejam beneficiados com a proposta.
A iniciativa estipula que a União será obrigada a ajudar os estados na complementação dos recursos necessários à implantação do piso, caso seja comprovada a impossibilidade financeira. Além da ajuda do governo federal, os estados também poderão usar recursos do Programa Nacional de Segurança Pública (Pronasci) para complementar os valores do piso.
Os senadores pretendem garantir condições mínimas de trabalho e motivação profissional aos profissionais que desempenham importante papel na superação da crise de segurança que os estados do País têm enfrentado. O relator do projeto, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), acredita que o descaso do governo quanto à segurança pública pode ter como consequência "a ruptura do tecido social e da substituição do Estado de Direito pela guerra civil". Ele também atribui o descontrole da violência no País à falta de remuneração adequada de todas as forças policiais.
A Câmara dos Deputados também analisa a criação de um piso salarial para policiais e bombeiros. A PEC 300 não contempla os policiais civis. Pela proposta, o piso nacional seria de R$ 4,5 mil. A comissão vota nos próximos dias se também haverá equiparação salarial dos policiais de todo o País aos do Distrito Federal.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Comandante da PM é a favor do fim do rancho
O fim do rancho para os PMs pode estar próximo. Pelo menos essa é a vontade do comandante-geral da PM, que enviou duas comissões a São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Pernambuco, para um amplo estudo sobre as condições de vida e alimentação dos ...
policiais militares desses estados.
"O relatório feito pelas comissões será a base para a estratégia que vamos adotar na corporação. Sou amplamente favorável ao fim do rancho e à
terceirização dos serviços utilizados pela PM. Isso foi feito com a frota e com os blindados e deu muito certo", afirmou.
De acordo com Mário Sérgio, se o rancho fosse extinto, o efetivo recuperado desse serviço seria em torno de 400 homens. "Seria um bom número de homens à disposição. Pensei a vida toda em aparar gordura transformar estrutura de poder em estrutura de serviço", disse. Mas nem todos os homens retirados do rancho estariam prontos para o serviço de rua. "Boa parte desses policiais estão sem condições de saúde. Muitos são hipertensos, cardíacos, enfim, vários problemas que os impediria de voltar às ruas. Nem todos estariam prontos para combate, mas é claro que todo efetivo disponível para o serviço de rua é válido", ressaltou o comandante.
No entanto, o oficial admitiu que policiais poderiam acreditar que haveria perdas. "Em tudo o que se faz, temos ganhos e perdas. Se o rancho for incorporado ao salário, os policiais achariam que houve perda de benefício. Tudo é uma questão de analisar e discutir as melhores opções para a tropa. Tenho certeza que optaremos pelo que significar ganho para todos os policiais".
O fim do rancho para os PMs pode estar próximo. Pelo menos essa é a vontade do comandante-geral da PM, que enviou duas comissões a São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Pernambuco, para um amplo estudo sobre as condições de vida e alimentação dos ...
policiais militares desses estados.
"O relatório feito pelas comissões será a base para a estratégia que vamos adotar na corporação. Sou amplamente favorável ao fim do rancho e à
terceirização dos serviços utilizados pela PM. Isso foi feito com a frota e com os blindados e deu muito certo", afirmou.
De acordo com Mário Sérgio, se o rancho fosse extinto, o efetivo recuperado desse serviço seria em torno de 400 homens. "Seria um bom número de homens à disposição. Pensei a vida toda em aparar gordura transformar estrutura de poder em estrutura de serviço", disse. Mas nem todos os homens retirados do rancho estariam prontos para o serviço de rua. "Boa parte desses policiais estão sem condições de saúde. Muitos são hipertensos, cardíacos, enfim, vários problemas que os impediria de voltar às ruas. Nem todos estariam prontos para combate, mas é claro que todo efetivo disponível para o serviço de rua é válido", ressaltou o comandante.
No entanto, o oficial admitiu que policiais poderiam acreditar que haveria perdas. "Em tudo o que se faz, temos ganhos e perdas. Se o rancho for incorporado ao salário, os policiais achariam que houve perda de benefício. Tudo é uma questão de analisar e discutir as melhores opções para a tropa. Tenho certeza que optaremos pelo que significar ganho para todos os policiais".
PEC 41/08 - LIDER DO PT NO SENADO DEFENDE A APROVAÇÃO
O líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), defendeu nesta terça-feira (1º), em Plenário, a aprovação de projeto de emenda à Constituição (PEC) de autoria do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que institui piso salarial para policiais civis e militares e bombeiros militares (PEC 41/08), já aprovada na CCJ.
O líder petista salientou ainda a situação de risco e de estresse a que estão submetidos diariamente os profissionais da categoria.
- Queremos aprovar esta PEC para ter uma polícia mais preparada, mais motivada - destacou.
Mercadante enfatizou a necessidade de valorizar o trabalho do policial civil e militar para que situações como aquelas com vítimas de balas perdidas, o aumento na contratação de empresas de segurança privada, os constantes roubos de veículos, entre outros, simbólicos da situação de violência nas metrópoles brasileiras sejam combatidos e reduzidos.
O líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), defendeu nesta terça-feira (1º), em Plenário, a aprovação de projeto de emenda à Constituição (PEC) de autoria do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que institui piso salarial para policiais civis e militares e bombeiros militares (PEC 41/08), já aprovada na CCJ.
O líder petista salientou ainda a situação de risco e de estresse a que estão submetidos diariamente os profissionais da categoria.
- Queremos aprovar esta PEC para ter uma polícia mais preparada, mais motivada - destacou.
Mercadante enfatizou a necessidade de valorizar o trabalho do policial civil e militar para que situações como aquelas com vítimas de balas perdidas, o aumento na contratação de empresas de segurança privada, os constantes roubos de veículos, entre outros, simbólicos da situação de violência nas metrópoles brasileiras sejam combatidos e reduzidos.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Flávio Bolsonaro
Reajuste de chorar
Com o reajuste de 5% proposto por Sérgio Cabral a policiais, bombeiros e inspetores penitenciários, um soldado da PM, por exemplo, receberá R$ 1,51 a mais por dia. E a penúria não escolhe grau hierárquico, pois para um coronel do BM esse valor chega a R$ 12,27.
O impacto do reajuste a esses profissionais, incluindo as gratificações, é de R$ 60 milhões este ano, e de R$ 296 milhões em 2010, incluindo ativos, inativos e pensionistas, num orçamento previsto de R$ 46 bilhões para o próximo ano. Ou seja, a proposta é investir mais 0,64% do orçamento no principal fator da segurança pública: o recurso humano.
Numa tentativa falha de atenuar a insatisfação, o governo cria gratificações de R$ 350, que atingem somente alguns ativos que preencham os vários requisitos previstos nos decretos, condicionados a avaliações periódicas. Na prática, dificuldades logísticas notórias inviabilizariam essas avaliações, e muitos feridos em combate já não poderiam se habilitar a recebê-las. Além disso, ocorreriam inversões hierárquicas fatais na cadeia de comando e, de quebra, somente os soldados continuariam fazendo jus à gratificação federal de R$ 400 do Pronasci, pois os cabos ultrapassariam o teto de R$ 1.700, já descontado o auxílio-moradia, para percepção da mesma, e perderiam o direito.
É válido o incentivo, por intermédio de gratificações, para promover a capacitação e qualificação. Mas não é saudável criá-las no momento em que se discute reajuste salarial, pois o raciocínio deve ser universal e irrestrito. Apresentei emenda ao projeto de lei dos 5% para que seja criada a gratificação de atividade de risco, no valor de mil reais, para todos os ativos, inativos e pensionistas. Seria uma alternativa mais justa.
Se o estado pagasse uma remuneração decente a esses profissionais, de maneira a não haver mais a necessidade de buscarem o "bico", seria tranquilamente possível implantar uma jornada de trabalho de 6 ou 8 horas diárias, o que triplicaria o efetivo da PM nas ruas todos os dias, ou ainda, permitiria que policiais civis fizessem investigações mais céleres e de forma contínua, reduzindo a sensação de impunidade e, por consequência, os índices de criminalidade.
O governador está conseguindo algo inédito na história do Rio de Janeiro: unir, pela repugnância a sua pessoa, todas as categorias do funcionalismo público.
*Flávio Bolsonaro é deputado estadual pelo PP
Reajuste de chorar
Com o reajuste de 5% proposto por Sérgio Cabral a policiais, bombeiros e inspetores penitenciários, um soldado da PM, por exemplo, receberá R$ 1,51 a mais por dia. E a penúria não escolhe grau hierárquico, pois para um coronel do BM esse valor chega a R$ 12,27.
O impacto do reajuste a esses profissionais, incluindo as gratificações, é de R$ 60 milhões este ano, e de R$ 296 milhões em 2010, incluindo ativos, inativos e pensionistas, num orçamento previsto de R$ 46 bilhões para o próximo ano. Ou seja, a proposta é investir mais 0,64% do orçamento no principal fator da segurança pública: o recurso humano.
Numa tentativa falha de atenuar a insatisfação, o governo cria gratificações de R$ 350, que atingem somente alguns ativos que preencham os vários requisitos previstos nos decretos, condicionados a avaliações periódicas. Na prática, dificuldades logísticas notórias inviabilizariam essas avaliações, e muitos feridos em combate já não poderiam se habilitar a recebê-las. Além disso, ocorreriam inversões hierárquicas fatais na cadeia de comando e, de quebra, somente os soldados continuariam fazendo jus à gratificação federal de R$ 400 do Pronasci, pois os cabos ultrapassariam o teto de R$ 1.700, já descontado o auxílio-moradia, para percepção da mesma, e perderiam o direito.
É válido o incentivo, por intermédio de gratificações, para promover a capacitação e qualificação. Mas não é saudável criá-las no momento em que se discute reajuste salarial, pois o raciocínio deve ser universal e irrestrito. Apresentei emenda ao projeto de lei dos 5% para que seja criada a gratificação de atividade de risco, no valor de mil reais, para todos os ativos, inativos e pensionistas. Seria uma alternativa mais justa.
Se o estado pagasse uma remuneração decente a esses profissionais, de maneira a não haver mais a necessidade de buscarem o "bico", seria tranquilamente possível implantar uma jornada de trabalho de 6 ou 8 horas diárias, o que triplicaria o efetivo da PM nas ruas todos os dias, ou ainda, permitiria que policiais civis fizessem investigações mais céleres e de forma contínua, reduzindo a sensação de impunidade e, por consequência, os índices de criminalidade.
O governador está conseguindo algo inédito na história do Rio de Janeiro: unir, pela repugnância a sua pessoa, todas as categorias do funcionalismo público.
*Flávio Bolsonaro é deputado estadual pelo PP
Entrevista
Mário Sérgio fala sobre as dificuldades da polícia
Para superar o momento difícil, só mesmo muito trabalho. É exatamente isso que o comandante da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, está fazendo. Desde sábado, o coronel passa 20h do dia trabalhando. Sobram apenas 4h para descansar. O dia começa cedo, às 7h30m, e as últimas ligações se encerram apenas às 3h30m. Em uma entrevista exclusiva concedida ao EXTRA na última quarta-feira, Mário Sérgio seguiu a linha adotada pelo secretario de Segurança, José Mariano Beltrame, criticou muito a participação da União no combate ao crime organizado, pediu mudanças na lei, como o fim de benefícios para traficantes que forem presos utilizando fuzis, e também classificou o último sábado como o 11 de setembro do Rio. Procurado na sexta-feira para falar sobre o envolvimento de policiais no caso da morte do coordenador do AfroReggae, Evandro João da Silva, e a exoneração do relações públicas da corporação, o coronel disse, através da assessoria de imprensa, que estava sem tempo.
Como o senhor analisa o que está acontecendo desde sábado?
Eu concordo plenamente quando o secretario de Segurança diz que esse evento, de certa forma, acaba nos remetendo ao 11 de setembro. Até hoje nós não tínhamos tido uma ação do narcotráfico que tivesse causado um impacto tão violento na sociedade. As ações do narcotráfico no enfrentamento com as forças policiais, que muitas vezes causam baixas nos nossos homens e em pessoas inocentes, ainda não havia despertado a sociedade para o fato de que essas forças, que vem se dedicando ao comércio das drogas, do enfrentamento entre si e do enfrentamento das forças policiais, exercem todo o tipo de despotismo possível e submissão das populações nas áreas onde elas se estabeleceram. Mas dessa vez a população do Rio, de todo o Brasil, a mídia, os formadores de opinião, todos puderam ver com clareza que os criminosos não respeitam nenhum tipo de regra. Eles foram capazes de atirar em uma aeronave que estava sobrevoando casas e escolas. Esse helicóptero poderia ter caído em cima de uma escola, poderia ter causado dezenas de mortes de pessoas inocentes.
Então seria a hora de uma mudança?
Acho que esse é um fato que deve definitivamente trazer para as discussões questões o que há muito tempo nós estamos falando. Da necessidade de um endurecimento da lei quanto aos criminosos. Não podemos conceber que traficantes que portam fuzis possam ser beneficiados com a progressão da pena. São armas de guerra que eles importam para enfrentamento dos seus inimigos de facção, mas, principalmente, das forças policiais, para atacar o estado sem nenhum respeito a qualquer regra. Então, nós temos que discutir essas questões com outros agentes, outros atores, que tenham responsabilidade sobre mudanças na legislação, para entender que não dá para ser assim. Não é possível considerar um criminoso que tira a vida de policiais, que tira a vida de pessoas inocentes, como destinatário dos benefícios da lei. É preciso endurecer isso. Ele não pode ter o mesmo direito de visita íntima que tenha um outro criminoso, aquele que cometeu crimes que qualquer outro ser humano poderia cometer, crimes muitas vezes levados pelas emoções. Esses não, eles são frios na maldade, eles são perspicazes em tudo, na submissão do outro, das populações, eles estão imersos em uma ideologia de ódio, uma subcultura de ódio, nessa identidade coletiva que faz com que eles se unam em lugares diferentes para atacar os seus ou apenas amedrontar a população, como eles fizeram agora, amedrontando a população do morro São João.
Aconteceram mesmo as ameaças de traficante na madrugada de terça-feira?
Eles não estavam nem amedrontando o traficante inimigo, mas sim a população, fazendo as pessoas descerem apavoradas. A sociedade precisa acordar para o mal que é o narcotráfico, a sociedade precisa acordar para o fato de que o narcotraficante está imerso em uma subcultura em que se destaca a ideologia de facção, essa identidade abstrata, mas plasmada no ódio, na destruição. Isso tudo tem que ser discutido, é preciso se desfraudar bandeiras, pedidos de paz, mas para cobrar do poder legislativo, no mais alto nível da nação, uma mudança na legislação.
O senhor fala então de mudar as leis em Brasília, é isso?
A população quer e os políticos que não entenderem isso vão acabar perdendo seu espaço. Não se trata de revanche ou vingança, mas de despertamento enquanto é tempo. Os órgão de segurança do Rio vêm realizando um trabalho brilhante, o problema é que estamos fazendo isso sozinhos. Temos feito isso trabalhando na ponta, mas é preciso interditar a chegada dos problemas. E quem vai interditar a chegada dos problemas é a União. Os problemas que passarem nós cuidamos aqui. Temos a política de redução do delito e do crime de rua, que estamos conseguindo no asfalto. Temos a política de recuperação do território outrora na mão do narcotráfico, com as unidades de polícia pacificadora. Mas a solução tem sido nossa e só.
O que mais precisa mudar?
Está na hora de a União entrar pesado nas fronteiras, mas pesado mesmo, interditando de todas as maneiras possíveis. Está na hora do próprio Governo Federal cobrar mudanças do poder legislativo, mudanças na lei, dizendo que aquele que porta o fuzil não terá progressão na sua pena, não terá direito à visita íntima. Porque esse, ele está disposto a cometer o mau no seu maior grau. Esse é um homem que não se dispõe a recuperação, salvo excessões, mas muito pequenas verdadeiramente. Ele encontrou gozo no mau. Não me incomodo em momento algum de pensar que estou trazendo a questão para um ponto de vista maniqueísta. Nessa hora, é absolutamente fácil identificar bem e mau. O que nós temos é um mau terrível feito pelas facções que se espalharam. Do outro lado estão as forças do Estado e a polícia. Porque a sociedade compreendeu agora, neste 11 de setembro, o inferno que é o problema das drogas e as guerras que ela vem promovendo ao longo desses anos.
Existe esperança de mudança?
Vamos reverter tudo isso, vamos sozinhos ou com a União cumprindo o seu papel, mas nós vamos reverter tudo isso. Já estávamos revertendo, essa foi uma questão muito pontual, em um espaço restrito da cidade, mas emblemática pela queda do helicóptero e a exibição deles de que não estão nem aí. Não se preocuparam se o helicóptero caísse na cabeça de crianças, de velhos, de pessoas inocentes. Eles não estão nem aí se vão amedrontar trabalhadores que estavam chegando em suas casas, obrigando-os a descer o morro e atravessar a rua com carros em alta velocidade. Eles são muito cruéis.
Como foi para o senhor ver aquela imagem do helicóptero caindo em chamas?
Essa é uma imagem que está se repetindo na minha cabeça o tempo inteiro, não consigo parar de pensar. Hoje (quarta-feira) eu estive no GAM (Grupamento Aéreo Marítimo), fui conversar com os policiais. Pensei que encontraria eles de cabeça baixa. Ao contrário, estão com uma moral altíssima, prontos para continuar realizando os seus serviços mais difíceis. Claro que estão muito tristes, com uma profunda dor, carregando uma dor que se transforma em vontade de luta, que se potencializa como uma vontade de luta. Eles não estão de moral baixa, pelo contrário estão motivados para seguir em frente. Alguns inclusive se dispuseram a na folga compor frações a pé para incursionar nos locais onde possamos ter informações da localização de traficantes ligados a essa facção que invadiu.
O que esperar daqui pra frente?
Todo o nosso foco agora é pegar os traficantes do grupo invasor, aqueles que derrubaram o helicóptero. É claro que isso não minimiza, em momento algum, o papel cruel e tiranico das outras facções. Elas também são alvos das nossas ações policiais. Mas neste momento temos que priorizar aqueles que tiveram essa ação tão nefasta e causaram um mau à sociedade tão grande. É uma cena que causa uma dor na sociedade. Nós estamos há muito tempo sangrando e suando nas ruas do Rio, mas nada até hoje foi tão impactante. Vi pessoas abraçando policiais nas ruas, pedindo que a gente vá atrás dos traficantes. Não sei quanto tempo vai demorar, mas é isso que estamos fazendo.
Mário Sérgio fala sobre as dificuldades da polícia
Para superar o momento difícil, só mesmo muito trabalho. É exatamente isso que o comandante da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, está fazendo. Desde sábado, o coronel passa 20h do dia trabalhando. Sobram apenas 4h para descansar. O dia começa cedo, às 7h30m, e as últimas ligações se encerram apenas às 3h30m. Em uma entrevista exclusiva concedida ao EXTRA na última quarta-feira, Mário Sérgio seguiu a linha adotada pelo secretario de Segurança, José Mariano Beltrame, criticou muito a participação da União no combate ao crime organizado, pediu mudanças na lei, como o fim de benefícios para traficantes que forem presos utilizando fuzis, e também classificou o último sábado como o 11 de setembro do Rio. Procurado na sexta-feira para falar sobre o envolvimento de policiais no caso da morte do coordenador do AfroReggae, Evandro João da Silva, e a exoneração do relações públicas da corporação, o coronel disse, através da assessoria de imprensa, que estava sem tempo.
Como o senhor analisa o que está acontecendo desde sábado?
Eu concordo plenamente quando o secretario de Segurança diz que esse evento, de certa forma, acaba nos remetendo ao 11 de setembro. Até hoje nós não tínhamos tido uma ação do narcotráfico que tivesse causado um impacto tão violento na sociedade. As ações do narcotráfico no enfrentamento com as forças policiais, que muitas vezes causam baixas nos nossos homens e em pessoas inocentes, ainda não havia despertado a sociedade para o fato de que essas forças, que vem se dedicando ao comércio das drogas, do enfrentamento entre si e do enfrentamento das forças policiais, exercem todo o tipo de despotismo possível e submissão das populações nas áreas onde elas se estabeleceram. Mas dessa vez a população do Rio, de todo o Brasil, a mídia, os formadores de opinião, todos puderam ver com clareza que os criminosos não respeitam nenhum tipo de regra. Eles foram capazes de atirar em uma aeronave que estava sobrevoando casas e escolas. Esse helicóptero poderia ter caído em cima de uma escola, poderia ter causado dezenas de mortes de pessoas inocentes.
Então seria a hora de uma mudança?
Acho que esse é um fato que deve definitivamente trazer para as discussões questões o que há muito tempo nós estamos falando. Da necessidade de um endurecimento da lei quanto aos criminosos. Não podemos conceber que traficantes que portam fuzis possam ser beneficiados com a progressão da pena. São armas de guerra que eles importam para enfrentamento dos seus inimigos de facção, mas, principalmente, das forças policiais, para atacar o estado sem nenhum respeito a qualquer regra. Então, nós temos que discutir essas questões com outros agentes, outros atores, que tenham responsabilidade sobre mudanças na legislação, para entender que não dá para ser assim. Não é possível considerar um criminoso que tira a vida de policiais, que tira a vida de pessoas inocentes, como destinatário dos benefícios da lei. É preciso endurecer isso. Ele não pode ter o mesmo direito de visita íntima que tenha um outro criminoso, aquele que cometeu crimes que qualquer outro ser humano poderia cometer, crimes muitas vezes levados pelas emoções. Esses não, eles são frios na maldade, eles são perspicazes em tudo, na submissão do outro, das populações, eles estão imersos em uma ideologia de ódio, uma subcultura de ódio, nessa identidade coletiva que faz com que eles se unam em lugares diferentes para atacar os seus ou apenas amedrontar a população, como eles fizeram agora, amedrontando a população do morro São João.
Aconteceram mesmo as ameaças de traficante na madrugada de terça-feira?
Eles não estavam nem amedrontando o traficante inimigo, mas sim a população, fazendo as pessoas descerem apavoradas. A sociedade precisa acordar para o mal que é o narcotráfico, a sociedade precisa acordar para o fato de que o narcotraficante está imerso em uma subcultura em que se destaca a ideologia de facção, essa identidade abstrata, mas plasmada no ódio, na destruição. Isso tudo tem que ser discutido, é preciso se desfraudar bandeiras, pedidos de paz, mas para cobrar do poder legislativo, no mais alto nível da nação, uma mudança na legislação.
O senhor fala então de mudar as leis em Brasília, é isso?
A população quer e os políticos que não entenderem isso vão acabar perdendo seu espaço. Não se trata de revanche ou vingança, mas de despertamento enquanto é tempo. Os órgão de segurança do Rio vêm realizando um trabalho brilhante, o problema é que estamos fazendo isso sozinhos. Temos feito isso trabalhando na ponta, mas é preciso interditar a chegada dos problemas. E quem vai interditar a chegada dos problemas é a União. Os problemas que passarem nós cuidamos aqui. Temos a política de redução do delito e do crime de rua, que estamos conseguindo no asfalto. Temos a política de recuperação do território outrora na mão do narcotráfico, com as unidades de polícia pacificadora. Mas a solução tem sido nossa e só.
O que mais precisa mudar?
Está na hora de a União entrar pesado nas fronteiras, mas pesado mesmo, interditando de todas as maneiras possíveis. Está na hora do próprio Governo Federal cobrar mudanças do poder legislativo, mudanças na lei, dizendo que aquele que porta o fuzil não terá progressão na sua pena, não terá direito à visita íntima. Porque esse, ele está disposto a cometer o mau no seu maior grau. Esse é um homem que não se dispõe a recuperação, salvo excessões, mas muito pequenas verdadeiramente. Ele encontrou gozo no mau. Não me incomodo em momento algum de pensar que estou trazendo a questão para um ponto de vista maniqueísta. Nessa hora, é absolutamente fácil identificar bem e mau. O que nós temos é um mau terrível feito pelas facções que se espalharam. Do outro lado estão as forças do Estado e a polícia. Porque a sociedade compreendeu agora, neste 11 de setembro, o inferno que é o problema das drogas e as guerras que ela vem promovendo ao longo desses anos.
Existe esperança de mudança?
Vamos reverter tudo isso, vamos sozinhos ou com a União cumprindo o seu papel, mas nós vamos reverter tudo isso. Já estávamos revertendo, essa foi uma questão muito pontual, em um espaço restrito da cidade, mas emblemática pela queda do helicóptero e a exibição deles de que não estão nem aí. Não se preocuparam se o helicóptero caísse na cabeça de crianças, de velhos, de pessoas inocentes. Eles não estão nem aí se vão amedrontar trabalhadores que estavam chegando em suas casas, obrigando-os a descer o morro e atravessar a rua com carros em alta velocidade. Eles são muito cruéis.
Como foi para o senhor ver aquela imagem do helicóptero caindo em chamas?
Essa é uma imagem que está se repetindo na minha cabeça o tempo inteiro, não consigo parar de pensar. Hoje (quarta-feira) eu estive no GAM (Grupamento Aéreo Marítimo), fui conversar com os policiais. Pensei que encontraria eles de cabeça baixa. Ao contrário, estão com uma moral altíssima, prontos para continuar realizando os seus serviços mais difíceis. Claro que estão muito tristes, com uma profunda dor, carregando uma dor que se transforma em vontade de luta, que se potencializa como uma vontade de luta. Eles não estão de moral baixa, pelo contrário estão motivados para seguir em frente. Alguns inclusive se dispuseram a na folga compor frações a pé para incursionar nos locais onde possamos ter informações da localização de traficantes ligados a essa facção que invadiu.
O que esperar daqui pra frente?
Todo o nosso foco agora é pegar os traficantes do grupo invasor, aqueles que derrubaram o helicóptero. É claro que isso não minimiza, em momento algum, o papel cruel e tiranico das outras facções. Elas também são alvos das nossas ações policiais. Mas neste momento temos que priorizar aqueles que tiveram essa ação tão nefasta e causaram um mau à sociedade tão grande. É uma cena que causa uma dor na sociedade. Nós estamos há muito tempo sangrando e suando nas ruas do Rio, mas nada até hoje foi tão impactante. Vi pessoas abraçando policiais nas ruas, pedindo que a gente vá atrás dos traficantes. Não sei quanto tempo vai demorar, mas é isso que estamos fazendo.
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